Desde que comecei a treinar, já escutei muito sobre o comportamento e a atitude em geral de um uke. Sempre escuto sobre dificuldades ao treinar com algumas pessoas e também da facilidade que existe ao treinar com outras pessoas. Também já escutei diversos pontos de vista sobre tal comportamente, de como um uke deve se comportar.
O que seria essa atitude do uke? Todas as técnicas do Aikido possuem como base a energia. É essa energia que permite a execução das técnicas, sendo conduzida sempre de maneira fluida (sempre seguindo o ritmo da própria respiração, Kokyu), e ela depende muito do uke também ao longo da execução da técnica. Pode parecer um pouco confuso, mas não é.
Já encontrei muitas vezes dificuldade ao treinar com ukes que pensavam que a força era o mais importante que eles deviam fazer. Seguravam um katate-dori como se nada mais importasse. A única coisa importante era não permitir que a mão do tori não levantasse. E assim ficava ali parado esperando a técnica ser executada. Criando empecilhos e grande resistência (mesmo abrindo grandes brechas para tomar diversos atemis) pensando que estavam treinando "duro" pois na vida real ninguém ia investir sem usar força. Este pensamento é muito comum, mas pode muitas vezes acabar prejudicando o tori, que não captura a essência da técnica, e acaba por usar força para executar uma técnica. No aikido, nenhuma técnica demanda o uso da força.
Já escutei muito que este comportamento mais resistivo era empregado para forçar o tori a usar força, para estar preparado para encarar alguém na vida real. Mas este pensamento é extremamente equivocado. Ao se deparar com alguém mais forte, a própria força não será capaz de vencer a resistência do agressor e tori não conseguirá executar a técnica da maneira correta, esvaziando o movimento do agressor e retornando a energia de volta para ele.
Além disso, outro fato é que um agressor não irá se preocupar em segurar a mão de alguém e esperar que algo seja feito ou exigir alguma coisa. As tentativas de abaixar a guarda segurando a mão da pessoa são sucedidas por uma investida como um soco ou um golpe qualquer. Isso gera energia! O papel do tori é conduzir esta energia de volta para o agressor neste momento. Mas, voltando ao treino, quando não há energia, não adianta tentar executar uma técnica. No fim das contas, uke acaba ficando distante do tori, não há maai adequado, não há como fazer uma boa projeção...
Uke deve entender que ele faz parte de todo o dinamismo da técnica. Assim, deve estar preparado para ser conduzido, respondendo à condução que o tori faz. Isso permite que a técnica seja executada de maneira correta. Um uke que se comporta como uma barreira muitas vezes não permite que o tori execute a técnica da maneira correta, podendo ocasionar lesões ou uma falsa idéia de preparo.
Este assunto é bem mais abrangente. Irei retornar à ele em breve, mas antes irei falar um pouco mais sobre ukemi antes. Acredito que será bom para o entendimento da atitude do uke de maneira geral.
